“Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido.”
Milton Santos
Com base na obra “Por Uma Outra Globalização – do pensamento único à consciência universal” do Prof. Dr. Milton Santos, irei escrever sobre globalização e a sua outra face, ou seja, tentando desmitificar a idéia que absorvemos através das mídias. Aquela idéia da globalização como melhora e evolução da humanidade. Não que a globalização não tenha auxiliado, e muito, ao progresso das ciências e das técnicas, mas humanamente vem nos afastando.
O ponto de partida consiste na velocidade. A velocidade como falsa concepção de aproximação global. Essa globalização arquitetada e fincada na ilusão do encurtamento das distâncias. Tudo a todo instante está à nossa disposição, ao alcance das nossas mãos. De maneira tão rápida e facilitada que aos poucos vamos perdendo o hábito de fazer uma boa leitura ou de apenas admirar e estudar o que está na natureza, ao que está em nosso redor.
Daí vem o conceito de aldeia global com o objetivo de tornar o planeta homogêneo. Porém, esse conceito é um tanto traiçoeiro, pois os instrumentos de comunicação não são oferecidos e acessados por todos os indivíduos de maneira igualitária no planeta, assim, intensificando cada vez mais os conflitos locais. Então, a principio, as desigualdades e os preconceitos não fazem parte dos planos da globalização. Deixando de lado o desejo de uma real cidadania universal. Os conflitos sociais cada vez mais evidentes propagam-se como “mazelas sociais”, dentre eles; o desemprego, a pobreza, o desabrigo e a fome, o difícil acesso a educação pública de qualidade. Abrindo espaço aos males morais como a corrupção que tanto nos aflige na contemporaneidade. Já que a política vem perdendo o seu objetivo de preservar o meio social e as relações.
Passamos por uma crise real, sendo ela econômica, social, política e moral. Tal crise consiste pelo aumento desenfreado do consumismo. O consumismo e o individualismo alicerçados nas idéias liberais nos tornam mais competitivos e perversos perante a sociedade. Os interesses individuais tomam mais destaque em nossas vidas e os nossos princípios morais consistem no pressuposto de levar vantagem e adquirir privilégios em qualquer situação, sem medir as devidas conseqüências. A competitividade está ligada a ausência de compaixão.
“A competitividade comanda nossas formas de ação. O consumo comanda nossas formas de inação. E a confusão dos espíritos impede o nosso entendimento do mundo, do país, do lugar, da sociedade e de cada um de nós mesmos.”
Milton Santos
“Consumismo e competitividade levam ao emagrecimento moral e intelectual da pessoa...”
Milton Santos
Pertencemos, hoje, a uma dupla tirania. São elas: o dinheiro e a informação. Juntas elas irão dar as características da nossa época, interferindo nas relações sociais e interpessoais, influenciando no caráter dos indivíduos, formando a base dos novos totalitarismos.
É necessário, termos cuidado ao absorver as técnicas da informação, pois uma informação utilizada em função de objetivos particulares é transmitida a humanidade de maneira manipulada, que ao invés de explicar, vem cheia de equívocos na utilização do seu discurso e da sua retórica. Em que, a publicidade na sociedade contemporânea tem o objetivo maior de convencer do que de instruir. A informação é entregue ao receptor de maneira maquiada e alienadora resultando em atuais fábulas e mitos sociais.
Em relação ao dinheiro, ele é uma espécie de violência, onde a internacionalização do capital financeiro baseia-se na exploração de um país pobre ou emergente por um país economicamente desenvolvido. Não podemos transformar a vida em capital e nem nos mantermos escravos de algum sistema social. Pois o que encontramos ao nosso redor são indivíduos, todos ou quase todos querendo nos dominar. Sem contar, que cada vez mais os fenômenos desiguais da sociedade são considerados banais, ou seja, faz parte de um processo natural, o que é um absurdo.
Podemos modificar essa visão do processo de globalização, a partir do momento que a tornarmos mais humana. Que ao invés de a utilizarmos como objeto de segregação e individualismos, a utilizarmos com outros objetivos, ou seja, a serviço de bases políticas e sociais. A princípio, precisamos nos atentar a grande diversidade étnica, cultural, política, presentes em todo o mundo, pois só assim poderemos melhor compreender o que se passa em cada lugar. Que haja através da informação uma troca e mistura de experiências e idéias, buscando um verdadeiro processo de constituição da cidadania, da universalidade social, com tolerância e respeito.
Por conta do atual dinamismo, é necessário também que exista uma visão crítica que possibilite a cada indivíduo construir sua própria história interligada ao interesse social. A ter consciência que os problemas que enfrentamos em nosso país não são os mesmos problemas encarados por outros países no planeta, logo, não existe uma solução única. Nessa perspectiva é que a globalização não unifica, sendo assim indispensável um caminho mais humano em busca de uma verdadeira concepção de união.
Um comentário:
Milton Santos é demais! No words! Você vai se soltando aos poucos, pode se soltar mais...Go on!
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